Imaginemos a
realidade como um ser, híbrido e mutável, como qualquer outro, sujeito a uma
evolução natural. A construção da realidade é feita a cada instante; é, por
fim, até ao fim, o encadeamento das várias verdades que se vão conectando e
sobrepondo umas às outras. Contemplemos a realidade como uma obra cubista, onde
vários planos se cruzam; uma intersecção de perspectivas. A catharsis do real reside no infinito,
pois a imaginação e a necessidade humana não têm limites.
A
eternidade é feita de uma sucessão infindável de momentos. E é desta forma,
também, que o real, passo-a-passo, continua o seu caminho de forma a ajustar-se
a um universo sem limites. Aquilo que racionalizamos e sistematizamos – o
verdadeiro e o falso, o positivo e o negativo, o puro e o impuro, justo e o
injusto – é então um legado inacabado, embora, muitas vezes, aos nossos olhos,
nos pareça uma obra perfeita. Somos os herdeiros, o resultado, da operação
plástica que impusemos a tudo aquilo que nos rodeia. Mas somos mais do que
isso! Somos, enquanto espécie, os seus obreiros perpétuos.
A
realidade não está, por conseguinte, dependente do ponto de vista de cada ser
pensante que a contempla e julga poder agarrar a sua omnipotente sempiternidade. As nossas
mãos apenas a podem impelir numa ou noutra direcção; podemos esticá-la um pouco
mais, reduzi-la, ajustá-la às nossas feições e aos nossos interesses.
Esqueçam
a frase com que iniciei este texto. Afinal, agora, a realidade é isto. Daqui a
instantes, será isto e também aquilo que está por vir. Assim, sucessivamente,
durante todas as eras futuras deste mundo e desta espécie sujeita a evolução, ela
será isto e aquilo, isto e aquilo, isto e aquilo, isto e aquilo…
e a rave de noé?!
ResponderEliminarPor alguma razão que me escapa, algumas partes desse texto surgem cortadas quando o tento publicar aqui neste blogue. Por esse motivo acabei por postá-lo exclusivamente no Cabaret des Morts.
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